segunda-feira, 14 de março de 2016

POÉTICAS DO VENTO


 Poemas ao Vento                        

                (Fernando Pessoa)



Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora;
Mas também meu pensamento
Tem um vento que o devora.
Há uma íntima intenção


Que tumultua em meu ser

E faz do meu coração
O que um vento quer varrer;

Não sei se há ramos deitados
Abaixo no temporal,
Se pés do chão levantados
Num sopro onde tudo é igual.

Dos ramos que ali caíram
Sei só que há mágoas e dores
Destinadas a não ser
Mais que um desfolhar de flores  




  Como algo não visível e não tátil, mas que se faz presente causando sensações em nosso corpo ou  alterando a paisagem pode transformar-se em tema de uma proposta pedagógica?
  Como promover conhecimentos a partir do diálogo entre uma força visível e sensível, o vento, e as artes visuais?




    Referencial:

¨- Gravura de Goya, da série Caprichos: "Rajadas de Vento"  http://www.metmuseum.org/collection/the-collection-online/search/378036
¨- Jeff Wall faz em fotografia a cena do importante desenho de Hokusai "Uma súbita rajada de vento":  https://odaaniepce.wordpress.com/2013/02/28/una-fotografia-a-sudden-gust-of-wind-after-hokusai-de-jeff-wall/

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